Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ensino em Geografia - Iniciação à Prática Profissional I

Os Transportes - Sessão com o Professor Nuno Marques da Costa

19.05.22 | Patrícia Anjos

Olá a todos!!

Nesta sessão, tivemos um professor convidado, o Professor Dr. Nuno Marques da Costa. Nuno Marques da Costa é Licenciado em Geografia, Mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local e Doutor em Geografia Humana, sendo que os seus interesses de investigação são: Transporte Urbano, SIG, Modelação e Análise Regional. Neste momento é Professor Associado e Investigados do Centro de Estudos Geográficos (CEG) do IGOT. É ainda o coordenador do Mestrado em Sistemas de Informação Geográfica e Modelação Territorial aplicadas ao Ordenamento.

Prof. Nuno Marques Costa.jpg

O professor Sérgio Claudino começou por fazer uma pequena apresentação do professor convidado e sobre o objetivo desta sessão, que se baseia nos conceitos relacionados aos Transportes.

Este tema, para mim, teve uma maior relevância, pois uma das aulas que lecionei no meu estágio de IPP1 foi mesmo sobre os transportes. No meu caso os transportes aéreos e os transportes invisíveis, numa turma do 11º ano, sendo que os transportes estão presentes nas aprendizagens essenciais deste mesmo ano, no tema: A População: Como se Movimenta e Comunica.

O Professor Nuno começou então, juntamente com uma apresentação projetada, a falar sobre a procura de transportes. A procura dos transportes depende do motivo por que vamos fazer essa deslocação. Tanto pode ser por motivo de trabalho, de comércio/serviços/lazer ou de atividade produtiva. Costumamos ter a ideia de que os transportes estão relacionados ao turismo, mas não dependem exclusivamente disso. Os transportes são vantajosos, pois permitem-nos ir de ponto A a ponto B, gerando movimentos. Consideramos o transporte como uma utilidade negativa – Só me desloco do ponto A ao ponto B, dependendo do dispêndio que se vai ter nesse trajeto. O transporte é algo que deve ser minimizado: tempo, custo, comodidade, etc. A função do transporte é algo que deve caminhar para 0, minimizado. Uma deslocação só compensa quando há uma vantagem líquida.

Não nos podemos esquecer ainda da chamada “procura derivada”, onde esta pode ser direta, em que a procura do transporte depende dos movimentos pendulares, dos movimentos turísticos e dos profissionais de distribuição ou, a indireta, que está relacionada com os transportes utilizados/procurados para armazenamento e transporte de energia.

Professor Nuno.jpg

Fica a dúvida do “Transporte Ideal”. Qual é este transporte ideal que se fala? Para chegarmos a este ideal, seriam necessários vários fatores:

post11 - 1.jpg

Seria instantâneo (aumentando as frequências dos transportes), gratuito (há vários municípios que já disponibilizam transporte gratuito aos habitantes), sem limite de capacidade, sempre disponível e neutro em termos ambientais (mudando os modos de combustão, os veículos, limitando as emissões). É necessária uma melhor gestão dos vários modos de transporte (a Câmara de Lisboa já tenta fazer isto).

Segundo Pierre Merlin (1937/ - , Geógrafo Francês), “Se o transporte ideal acontecer, acaba a geografia”. Mas penso que não seja bem assim, a Geografia é sempre necessária independentemente de tudo.

Os transportes são classificados através de 3 parâmetros:

post11 - 2.jpg

Um exemplo de transporte avançado a nível tecnológico que o professor referiu é o Wuppertaler Schewebebahn. Este transporte é uma espécie de comboio suspenso, utilizado na Alemanha. Como podemos ver na fotografia abaixo, é uma espécie de comboio que neste caso, anda por baixo da ponte, permitindo que por cima da ponte haja a passagem de outros modos de transporte.

transporte alemão.jpg

O professor Nuno perguntou-nos então se sabíamos distinguir Meio de Transporte de Modo de Transporte. A maioria ficou um pouco confusa, mas o professor conseguiu ajudar-nos ao dar exemplos. Por exemplo, um comboio normal e um comboio de alta velocidade são os dois os mesmos meios de transporte, mas agem de forma diferente em relação à deslocação, à velocidade, etc, fazendo com que o modo de transporte seja diferente.

Assim, um meio de transporte é o veículo utilizado para a realização das deslocações, enquanto o modo de transporte é o sistema físico que permite fazer a deslocação integrando a sua infraestrutura, os veículos e a operação em si.

Os modos de transporte diferenciam-se entre si através:

post11 - 3.jpg

Por outro lado, os transportes caracterizam-se através de vários parâmetros, como os seguintes:

post11 - 4.jpg

O professor referiu ainda alguns modos de transporte urbano que vocês também devem de certo conhecer e até mesmo utilizar, tais como:

post11 - 5.jpg

Por fim, passámos a um assunto mais internacional sobre os transportes, sobre a Política Europeia de Transportes. Os transportes têm sofrido um desenvolvimento lento desde o Tratado de Roma em 1957, onde nesse tratado, o principal objetivo era abolir as fronteiras, a discriminação entre os Estados Membros, contribuindo assim para a livre circulação de pessoas, bens e capitais.

Mais tarde, em 1986, houve o Plano de Infraestruturas de Transporte, mas , tem sido desde 1995 que tem havido uma maior “mexida” de políticas relacionadas com os transportes. Desde 1995 houve a liberalização do acesso ao mercado, a integração dos sistemas de transporte, parcerias entre o setor público e o privado, assim como uma maior preocupação em termos da qualidade da segurança, do ambiente e da participação.

E foi assim que terminou a participação do Professor Nuno na nossa sessão semanal de IPP1, não esquecendo ainda o sumário envolvente desta sessão:

  • Professor Nuno: Os transportes não são procurados por si mesmos, constituem uma procura derivada.

Até à próxima!!! 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.