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Ensino em Geografia - Iniciação à Prática Profissional I

2ª Sessão de IPP1 - O que fazer e não fazer numa aula?

09.03.22 | Patrícia Anjos

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Olá a todos novamente!

Hoje falarei sobre a segunda aula de IPP1 que se baseou essencialmente na resolução de uma ficha, sobre como devemos agir com os alunos numa aula.

Ainda antes dessa ficha, ainda abordámos um pouco o que foi falado no III encontro nacional de mestrados em ensino de geografia (podem ver mais sobre este encontro no meu post anterior), assim como se encontra a situação do nosso estágio profissional. À data desta aula, eu e as minhas colegas de estágio, combinámos ir à escola secundária na quarta-feira e à escola básica na quinta. Posso já dizer-vos que na próxima semana (semana de dia 14 a 18) já começarei a assistir às aulas das professoras cooperantes!!! 

Voltando ao conteúdo desenvolvido nesta segunda sessão de iniciação à prática profissional I, o resto da aula (a maior parte dela) foi concentrada na resolução da ficha fornecida pelo professor.

Vou então dizer-vos as questões e depois vou aqui respondê-las e explicar o porquê dessas respostas e não outras.

1 - A utilização do quadro é:

a) menos recomendada do que no passado, pois existem outros recursos alternativos que contêm a informação de base a fornecer aos alunos;

b) recomendado, apesar de existir maior diversidade de recursos.

R: Neste caso, a resposta mais correta é a b). A utilização do quadro, apesar dos inúmeros recursos que atualmente existem, é ainda muito recomendada, pois o quadro:

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2 - O professor está a iniciar o estudo de conceitos de demografia (TN, TM, ...), que define na apresentação que projeta e que já estão definidos no manual escolar do aluno. O professor deverá:

a) mandar os alunos sublinhar os mesmos no manual;

b) escrever os mesmos no quadro.

R: Neste caso, ao um assunto estar escrito no papel (manual por exemplo) e no quadro ao mesmo tempo, faz com que um aluno não se perca em que momento da aula ou da matéria é que nos encontramos. Por outro lado, atualmente, nas escolas públicas, é proibido escrever nos manuais pois estes são emprestados pelo ministério da educação, e ao fim do ano têm de os voltar a entregar no estado em que o receberam.

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À exceção de quem tem possibilidade para os comprar, faz todo o sentido que escrevam ou sublinhem coisas importantes no manual. Dito isto, a opção mais correta é a alínea b), pois neste caso em concreto das taxas de natalidade e mortalidade, o professor deve começar a falar primeiro sobre o conceito das taxas, e só depois, começar a explicar como se processa cada um, como são feitas as contas dessas mesmas, etc.

3 - O professor pede aos alunos que construam uma afirmação sobre o espaço rural, cujo estudo vão agora iniciar. Dê uma sugestão de organização desta atividade.

R: Neste caso, o professor deve tornar clara a atividade aos alunos. Pode, por exemplo, pedir aos alunos para comentarem uma foto relacionada com o tema em questão, construindo uma frase sobre o que pensam que essa foto é ou o que representa, pois, cada um há de ter a sua opinião e conhecimento geral. Este tipo de atividade em causa pode ser realizada em pares, pois é uma forma de todos participarem e ficarem mais motivados. Num "mundo ideal", todos os pares deviam ter a oportunidade de responder na aula, no entanto, torna-se complicado tanto pelo tempo disponível, como pelas ideias repetidas que poderiam surgir no meio de tantos grupos. Por isso, o mais aconselhável seria escolher aleatoriamente 2 ou 3 pares, retirando as ideias/frases destes pares e escrever no quadro para todos terem acesso, e depois perguntava-se no geral, para os restantes alunos, quem é que também queria apresentar as suas ideias. No fim de todos os que se disponibilizaram contribuírem para esta atividade, são então discutidas todas as ideias entre o professor e os alunos, apresentando a ideia final.

4 - Um professor manda os alunos realizarem uma tarefa (exemplo: responder às questões 1 e 2 do manual, da página 15). Que preocupações deve ter, quando lança esta atividade?

R: Uma das principais preocupações é estipular um limite de tempo para a realização da tarefa em questão. Para facilitar, o professor pode dar tempo a menos para criar alguma pressão aos alunos para realizar o exercício. Outra coisa muito importante, e que por vezes nem sempre é fácil por parte dos professores, é o ficar calado enquanto os alunos realizam a tarefa, de modo que não haja distrações. É fundamental que expliquemos a atividade a ser concretizada, realçando que todos têm de participar. O tempo é considerado terminado quando notamos que a maior parte dos alunos já terminou, pois, se ficarmos à espera que todos os estudantes concluam a tarefa, pode chegar a durar a aula inteira, pois podem por vezes não ter noção do que tempo que já passou. Deve ainda ser escrita a atividade no quadro para que todos possam ter acesso a ela a qualquer momento e devemos nos assegurar que todos têm o manual consigo.

5 - O professor apresenta um vídeo sobre a situação vivida num local. De seguida, vai apresentar um segundo vídeo, sobre as transformações ocorridas nesse local. O que deve dizer quando passa de um vídeo para o outro?

R: Depois da visualização do vídeo, o professor deve fazer aos alunos questões sobre esse mesmo assunto. Uma das coisas que até podemos fazer para cativar a atenção dos alunos, é fazer um kahoot com perguntas sobre esse mesmo vídeo. Por fim, não podemos passar para outro vídeo sem explorar devidamente o primeiro.

6 - Um professor passa imagens da cidade de Lisboa a alunos que vivem na Área Metropolitana. Como algumas imagens serão dificilmente reconhecíveis, pelo menos para alguns alunos, deverá:

a) Perguntar aos alunos a que respeitam as mesmas. Se não responderem, identificarem as mesmas;

b) Criar uma chave binária de identificação das respostas, de forma a ajudar os alunos a identificarem as respostas;

c) Identificar as mesmas, pois a maioria das mesmas não serão conhecidas por vários dos alunos.

R: A opção mais correta relativamente a esta situação é a alínea b). A utilização de uma chave binária pode ser uma boa opção, pois é uma atividade apoiada, onde todos podem tentar responder sem terem medo de errar. É mais enriquecedor, pois todos aprendem ao mesmo ritmo, sendo que os que normalmente não costumam responder, têm também a possibilidade de fazer isso. Não há discrepância entre os alunos, pois com 2 opções de resposta, torna-se um caminho mais fácil para todos os alunos obterem o sucesso. Este responder apoiado, sempre é melhor que os alunos simplesmente não responderem a nada, sendo esta opção até motivadora para os alunos.

7 - Um professor pergunta a um aluno: Na troposfera, como varia a temperatura com a altitude? O aluno nada responde. O que fazer?

R: O professor deve dar um exemplo concreto e o mais simples possível. Por exemplo: "Se chegarmos ao cimo de uma serra, vai estar mais quente ou mais frio?". Temos, enquanto professores, tentar adaptar as questões/matérias à realidade. Devemos, de certa forma, reformular a pergunta para ser o mais fácil possível para os alunos compreenderem.

ou

Podemos fazer essa mesma pergunta, mas a outro aluno, como, por exemplo: "Quem é que quer ajudar o colega?", fazendo com que sejamos delicados na transição de um aluno para o outro.

8 - A turma está toda, quase toda, a fazer barulho. O professor deve criticar o facto de:

a) Muitos alunos estarem a fazer barulho;

b) Estarem todos a fazer barulho.

R: A resposta é a alínea a). Não devemos "ralhar" com toda a turma, pois assim corremos o risco que os alunos todos se virem contra nós, mesmo os que se estavam a comportar bem e calados.

Sumário: A gestão da aula. A aula vai sendo construída também no quadro. Ao fazer a pergunta, o professor deve dar tempo de resposta ao aluno. Quando o aluno não responde, a pergunta deve ser simplificada ou fechada.

Até à próxima!! Volto muito em breve!!