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Ensino em Geografia - Iniciação à Prática Profissional I

Última Sessão de IPP1

26.05.22 | Patrícia Anjos

Olá a todos novamente!!

Desta vez, estou aqui para me "despedir" de vocês desse lado, não para sempre, mas por algum tempinho que prometo não ser longo!!

O Seminário de Iniciação à Prática Profissional 1 (IPP1) teve a última sessão no passado dia 23 de Maio, e por isso ausentar-me-ei mais para me poder focar nos restantes trabalhos pendentes.

Nesta última sessão, o Professor Sérgio Claudino começou por efetuar um pequeno ponto da situação dos estágios, abordando em particular o meu caso e o da Simone. O meu caso e da Simone é particularmente complicado, pois, íamos iniciar o nosso estágio na escola básica, no entanto, a nossa professora orientadora ficou doente e, estamos agora, com o nosso estágio "congelado". Mas tudo se há de resolver e eu virei aqui para vos dar as novidades, até porque quero que saibam como foi a minha experiência a dar aulas pela primeira vez! 

Ainda relacionado com os estágios, o professor salientou, que assim que possível, até meados de Julho, devemos pensar bem e decidir que escola e professor orientador queremos escolher, para depois termos tempo de entrar em contacto com eles para ver se estão disponíveis.

De seguida, o professor projetou uma ficha de orientação/autoavaliação, que serve como orientação para nós que estamos a elaborar o relatório de estágio de IPP1. Nesta ficha, que se baseia numa tabela com vários parâmetros, enumera os diversos pontos que devemos apresentar no relatório, cada um com o seu grau de importância. De modo a entendermos o que fazer em cada um destes pontos, o professor leu-os e aprofundou-os, reforçando quais pontos podemos falar de um modo mais geral e em quais devemos falar de forma mais intensa, com mais detalhe. Por exemplo, as aulas que assistimos do/a professor/a orientador/a, podem ser escritas no relatório de forma mais geral, enquanto as aulas que nós daremos, devem ser descritas com um maior detalhe, sendo este ponto mais importante, pois tal como o professor disse e bem, nós é que seremos avaliados e não os professores orientadores. O professor Sérgio realçou ainda que é muito importante, principalmente nós, enquanto professores, escrevermos bem, redigirmos bem os textos, com os termos corretos e a pontuação certa (ex: sabermos onde pôr ponto final, quando temos de terminar uma frase, quando temos de pôr vírgulas para interromper, etc.).

De seguida, na segunda metade da aula, o professor diversas fichas, com exercícios, com diversos temas para nós "inspecionarmos".

De modo a conseguirmos interpretar as fichas, o professor salientou a Taxonomia de Bloom. Esta taxonomia é uma das ferramentas que servem para classificar o processo de pensar e aprender. Na tabela seguinte podemos entender as diferentes dimensões presentes:

Taxonomia de Bloom.jpg

A primeira ficha está relacionada com os Sismos, onde estão presentes várias tarefas referentes a este conteúdo. O professor relata o que está presente nas fichas para toda a turma, pedindo a nossa ajuda relativamente a cada uma das perguntas. Apresento-vos as folhas referentes a esta ficha de modo que entendam o que explicarei sobre cada uma delas:

Ficha1.0.jpg

Ficha1.1.jpg

Ficha1.2.jpg

Na primeira folha podemos encontrar um texto que cobre grande parte da folha, e o que vamos encontrar na segunda? Um exercício onde se vai resumir o conteúdo todo deste texto. Esta passagem do texto para um esquema, é uma forma de compreensão na taxonomia de bloom, porque neste caso eles vão ter de interpretar primeiro o texto, esquematizando-o. Nessa segunda folha, a primeira tarefa resume-se à elaboração de uma definição, sendo uma pergunta aberta para os alunos; a segunda tarefa faz os alunos pesquisarem no texto uma certa palavra/conceito; a terceira consiste na dita esquematização. O esquema:

esquema.jpg

Ainda nesta última tarefa, num dos pontos desta, pedem-se vários exemplos, consoante a categoria de sismos, e podemos ver, que num dos sismos, já se encontra um exemplo preenchido. Isto faz com que os alunos fiquem com uma ideia do que é que têm de realizar, ficam com uma "luz" do que se é pedido. Mesmo em turmas com alunos excelentes, é sempre bom inserirmos umas "dicas" nos exercícios, pois todos os alunos diferem assim como a compreensão de cada um.

O professor salientou uma curiosidade, que pessoalmente desconhecia. Visto esta ficha ter cartoon, o professor questionou-nos quem é o cartoonista mais importante atualmente em Portugal e, para minha surpresa é geógrafo! Falo-vos do cartoonista Luís Afonso, quem faz o cartoon a "Mosca" num jornal português o Público.

luis afonso.jpg

No decorrer desta conversa, um colega efetuou uma pergunta muito interessante ao professor Sérgio: Qual o maior geógrafo que já existiu? Ao qual o professor respondeu: Humboldt.

E em Portugal? Onde o professor respondeu: José Ferrão, Orlando Ribeiro, Jorge Gaspar, etc.

De seguida, passámos para a segunda ficha, relativa a um texto de Orlando Ribeiro:

Ficha2.0.jpg

Ficha2.2.jpg

Nesta segunda ficha é possível encontrarmos um texto de Orlando Ribeiro, que se foca no Homem, e a seguir, é-nos apresentadas as questões referentes a esse texto. Tal como na ficha anterior, segundo a taxonomia de bloom, estamos perante um caso de Compreensão, pois para respondermos a todas as perguntas, temos de ler e interpretar o texto.

Neste exercício, o principal é categorizar a informação do texto (sublinhando as palavras ou conceitos pedidos) e a reconstrução da informação (neste caso em esquema).

A terceira ficha diz respeito a exercícios sobre Santarém e o Tejo:

Ficha3.jpg

Neste caso, o exercício é muito idêntico ao anterior, onde aqui também tem de existir uma categorização da informação, pois é necessário sublinhar certas partes do texto, existindo uma interpretação prévia do mesmo. Ao sublinharmos o texto, há uma classificação da informação (riscar com 1 risco ou com 2), é uma atividade mecânica, relativamente simples e que os alunos gostam de fazer.

A quarta ficha que nos foi entregue é muito idêntica à ficha anterior. Nesta também é possível encontrarmos um texto, neste caso sobre o Ciclo da Água, e depois há tarefas onde os alunos têm novamente de sublinhar várias palavras/conceitos que lhes são pedidos. Porque é que se pede apenas para sublinhar palavras e não pedimos para sublinhar com cores? É simples, nem todos os alunos levam diariamente para as aulas lápis ou canetas de várias cores.

Existem várias formas de ler e explorar textos, como já vimos ao longo desta minha explicação, mas deixarei aqui umas pequenas sínteses que o professor Sérgio entregou-nos, em esquema, para poderem perceber melhor.

Categorizar informação1.jpg

Reorganizar a informação1.jpg

Deixo-vos agora o sumário desta sessão:

  • O texto no ensino da geografia;
  • Categorizar a informação (sublinhar, riscar, etc.) e reorganizá-la de forma mais sintética.

Em breve voltarei para vos contar o meu percurso no estágio, por isso aguardem pelo meu regresso!! Até já!! 

Os Transportes - Sessão com o Professor Nuno Marques da Costa

19.05.22 | Patrícia Anjos

Olá a todos!!

Nesta sessão, tivemos um professor convidado, o Professor Dr. Nuno Marques da Costa. Nuno Marques da Costa é Licenciado em Geografia, Mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local e Doutor em Geografia Humana, sendo que os seus interesses de investigação são: Transporte Urbano, SIG, Modelação e Análise Regional. Neste momento é Professor Associado e Investigados do Centro de Estudos Geográficos (CEG) do IGOT. É ainda o coordenador do Mestrado em Sistemas de Informação Geográfica e Modelação Territorial aplicadas ao Ordenamento.

Prof. Nuno Marques Costa.jpg

O professor Sérgio Claudino começou por fazer uma pequena apresentação do professor convidado e sobre o objetivo desta sessão, que se baseia nos conceitos relacionados aos Transportes.

Este tema, para mim, teve uma maior relevância, pois uma das aulas que lecionei no meu estágio de IPP1 foi mesmo sobre os transportes. No meu caso os transportes aéreos e os transportes invisíveis, numa turma do 11º ano, sendo que os transportes estão presentes nas aprendizagens essenciais deste mesmo ano, no tema: A População: Como se Movimenta e Comunica.

O Professor Nuno começou então, juntamente com uma apresentação projetada, a falar sobre a procura de transportes. A procura dos transportes depende do motivo por que vamos fazer essa deslocação. Tanto pode ser por motivo de trabalho, de comércio/serviços/lazer ou de atividade produtiva. Costumamos ter a ideia de que os transportes estão relacionados ao turismo, mas não dependem exclusivamente disso. Os transportes são vantajosos, pois permitem-nos ir de ponto A a ponto B, gerando movimentos. Consideramos o transporte como uma utilidade negativa – Só me desloco do ponto A ao ponto B, dependendo do dispêndio que se vai ter nesse trajeto. O transporte é algo que deve ser minimizado: tempo, custo, comodidade, etc. A função do transporte é algo que deve caminhar para 0, minimizado. Uma deslocação só compensa quando há uma vantagem líquida.

Não nos podemos esquecer ainda da chamada “procura derivada”, onde esta pode ser direta, em que a procura do transporte depende dos movimentos pendulares, dos movimentos turísticos e dos profissionais de distribuição ou, a indireta, que está relacionada com os transportes utilizados/procurados para armazenamento e transporte de energia.

Professor Nuno.jpg

Fica a dúvida do “Transporte Ideal”. Qual é este transporte ideal que se fala? Para chegarmos a este ideal, seriam necessários vários fatores:

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Seria instantâneo (aumentando as frequências dos transportes), gratuito (há vários municípios que já disponibilizam transporte gratuito aos habitantes), sem limite de capacidade, sempre disponível e neutro em termos ambientais (mudando os modos de combustão, os veículos, limitando as emissões). É necessária uma melhor gestão dos vários modos de transporte (a Câmara de Lisboa já tenta fazer isto).

Segundo Pierre Merlin (1937/ - , Geógrafo Francês), “Se o transporte ideal acontecer, acaba a geografia”. Mas penso que não seja bem assim, a Geografia é sempre necessária independentemente de tudo.

Os transportes são classificados através de 3 parâmetros:

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Um exemplo de transporte avançado a nível tecnológico que o professor referiu é o Wuppertaler Schewebebahn. Este transporte é uma espécie de comboio suspenso, utilizado na Alemanha. Como podemos ver na fotografia abaixo, é uma espécie de comboio que neste caso, anda por baixo da ponte, permitindo que por cima da ponte haja a passagem de outros modos de transporte.

transporte alemão.jpg

O professor Nuno perguntou-nos então se sabíamos distinguir Meio de Transporte de Modo de Transporte. A maioria ficou um pouco confusa, mas o professor conseguiu ajudar-nos ao dar exemplos. Por exemplo, um comboio normal e um comboio de alta velocidade são os dois os mesmos meios de transporte, mas agem de forma diferente em relação à deslocação, à velocidade, etc, fazendo com que o modo de transporte seja diferente.

Assim, um meio de transporte é o veículo utilizado para a realização das deslocações, enquanto o modo de transporte é o sistema físico que permite fazer a deslocação integrando a sua infraestrutura, os veículos e a operação em si.

Os modos de transporte diferenciam-se entre si através:

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Por outro lado, os transportes caracterizam-se através de vários parâmetros, como os seguintes:

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O professor referiu ainda alguns modos de transporte urbano que vocês também devem de certo conhecer e até mesmo utilizar, tais como:

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Por fim, passámos a um assunto mais internacional sobre os transportes, sobre a Política Europeia de Transportes. Os transportes têm sofrido um desenvolvimento lento desde o Tratado de Roma em 1957, onde nesse tratado, o principal objetivo era abolir as fronteiras, a discriminação entre os Estados Membros, contribuindo assim para a livre circulação de pessoas, bens e capitais.

Mais tarde, em 1986, houve o Plano de Infraestruturas de Transporte, mas , tem sido desde 1995 que tem havido uma maior “mexida” de políticas relacionadas com os transportes. Desde 1995 houve a liberalização do acesso ao mercado, a integração dos sistemas de transporte, parcerias entre o setor público e o privado, assim como uma maior preocupação em termos da qualidade da segurança, do ambiente e da participação.

E foi assim que terminou a participação do Professor Nuno na nossa sessão semanal de IPP1, não esquecendo ainda o sumário envolvente desta sessão:

  • Professor Nuno: Os transportes não são procurados por si mesmos, constituem uma procura derivada.

Até à próxima!!! 

Projeto Nós Propomos; Relatório de Estágio; Planificações

04.05.22 | Patrícia Anjos

Olá a todos!

Ando um pouco desaparecida, pois tivemos o feriado do 25 de abril e não tivemos a última sessão de IPP1.

Esta sessão começou um pouco mais tarde, às 17:30h (normalmente é às 17h), devido à participação do professor no projeto Nós Propomos.

Nós propomos.jpg.crdownload

Este projeto, começou a ser implementado pelo IGOT, visando tentar que as escolas começassem a implementar o estudo de caso com os alunos, que desenvolvessem este tipo de trabalho.

Foi em 2003/2004, que o estudo de caso apareceu no programa de Geografia A, dando uma nova abordagem no ensino da Geografia.

Mas, no que é que consiste o estudo de caso?

O estudo de caso consiste em 4 passos diferentes:

10º post.png

Segue em baixo, como curiosidade, a tabela com os nomes das diversas escolas que participaram este ano neste projeto. Como se pode verificar, há uma grande diversidade de escolas, desde escolas básicas a secundárias, até mesmo colégios. Encontra-se também escolas de todo o país, tanto do sul, do centro e do norte do país.

10º post tabela.png

O professor Sérgio nesta sessão mostrou ainda o projeto da escola que ganhou este ano. Foi o projeto da Escola Básica e Secundária de Vilela – Concelho de Paredes, sendo que já é a terceira vez consecutiva que esta escola ganha este projeto.

De seguida, o professor passou para outro assunto. Um assunto que é agora muito importante para todos nós enquanto alunos e futuros professores, o estágio.

O professor quis saber como estão as nossas situações nas escolas, que aulas já assistimos, em que anos, se já demos aulas, se temos já as temos planificadas, etc. No geral, a turma está muito dividida, ou seja, já há muitas pessoas que já deram as deram todas (ou quase todas), e há pessoas que ainda estão só a assistir às aulas dos professores cooperantes.

No meu caso em particular, já assisti às aulas todas que eram necessárias tanto no 3º ciclo como no secundário, e já dei uma aula ao 11º ano (contarei a minha experiência sobre a primeira aula num outro post).

Passámos então à estrutura do relatório de estágio, onde há vários aspetos que são fundamentais estarem presentes. Podem ver esses aspetos no post que já fiz anteriormente: https://blogipp1ensinogeografia.blogs.sapo.pt/estagio-nas-escolas-perguntas-dirigidas-2287 

Falámos ainda sobre os diversos IPP’s. A diferença que existe entre o nosso mestrado e os restantes mestrados. Enquanto o nosso mestrado tem 3 IPP’s, há mestrados com o IPP1 logo no primeiro semestre, fazendo com que tenham no total 4 disciplinas de IPP. 

Por fim, o professor Sérgio esteve a explicar-nos a diferença entre as várias planificações. Existem as planificações de curto prazo, que normalmente dizem respeito a uma única aula (já dei exemplos desta mesma em outro post); planificações de média prazo, sendo uma planificação de um conjunto de aulas, por exemplo, um conjunto de 3 ou 4 aulas (é menos detalhada do que a planificação de curto prazo); e por fim, a de longo prazo, que diz respeito à planificação de um ano letivo inteiro.

Exemplo de planificação de média prazo (estrutura):

Médio prazo - planificação.png

Sumário: 

  • Ponto da situação de IPPI por escola;
  • A planificação de médio prazo, de uma sequência de aulas, pode incluir os descritores do Perfil dos Alunos.

Em breve venho aqui relatar-vos como são as minhas primeiras experiências como professora estagiária, espero que gostem e até já!!